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Placas de identificação de veículos no Mercosul: como ler a sua

Por Carplac Placas Mercosul|

Resposta rápida

No Brasil o nome oficial é PIV, Placa de Identificação de Veículos, e o desenho vem do Mercosul: faixa azul com o emblema do bloco à esquerda, BRASIL ao centro e a bandeira à direita, mais sete caracteres no padrão ABC1D23. A letra da quinta posição não indica cidade nem estado. Nas placas convertidas ela traduz um número da placa antiga pela tabela do Anexo II da Resolução CONTRAN 969/2022 (0 vira A, 1 vira B, até 9 vira J), então I significa 8 e F significa 5. Como essa faixa de A a J é usada só na conversão, uma letra de K a Z naquela casa indica placa que já nasceu no padrão novo. Quem informa o uso do veículo é a cor dos caracteres, não a letra.

O nome oficial é PIV, e o padrão é regional

Placa de identificação de veículos é o nome técnico do que todo mundo chama simplesmente de placa. No Brasil, a norma em vigor é a Resolução CONTRAN nº 969/2022, que dispõe sobre o sistema de Placas de Identificação de Veículos, a sigla PIV que aparece na papelada do Detran e da estampadora.

Motorista parafusando a placa nova no para-choque traseiro do carro
Sete caracteres, uma faixa azul e um QR Code: cada elemento tem função definida em norma.

O desenho, porém, não é brasileiro. Ele vem da Resolução GMC nº 33/14, do Mercosul, que criou uma placa única para o bloco com um objetivo prático: permitir que os países consultem os veículos uns dos outros, o que facilita a circulação e o combate a crimes de fronteira.

A entrada em vigor foi escalonada. O Uruguai começou em março de 2015, a Argentina em abril de 2016, o Brasil em setembro de 2018 e o Paraguai em julho de 2019. Aqui, a obrigatoriedade alcançou todos os estados em 31 de janeiro de 2020, pela Resolução CONTRAN nº 780/2019, hoje substituída pela 969/2022.

O modelo antigo também tem nome próprio na norma: PNU, de Placa Nacional Única, a placa cinza no padrão AAA-1111. Os dois modelos convivem legalmente nas ruas, e é justamente essa convivência que explica o detalhe que mais gera dúvida na placa nova, a letra do meio.

Anatomia da placa, elemento por elemento

A placa brasileira é uma chapa de alumínio não galvanizado de 1 mm, revestida de película retrorrefletiva branca, com uma faixa azul Pantone 286 de 30 mm de altura na margem superior. Dentro dessa faixa ficam três marcas, sempre na mesma ordem, e fora dela outras três.

Mãos de um operador com luva apoiando uma placa recém-estampada na bancada da fábrica
Emblema à esquerda, nome do país ao centro, bandeira à direita: a ordem é fixa em toda a região.
ElementoOnde ficaPara que serve
Emblema do MERCOSULExtremo esquerdo da faixa azul, a 15 mm da bordaIdentifica a placa como do padrão regional. Em carro, mede 32 por 22 mm
Nome BRASILCentro da faixa azul, vazado em brancoIndica o país emissor. Usa a fonte Gill Sans Standard Bold Condensed
Bandeira do BrasilCanto superior direito, a 4 mm das bordasReforça o país emissor. Em carro, mede 28 por 20 mm, com borda branca de 1 mm
QR CodeCanto superior esquerdo, logo abaixo da faixa, com lado de 16 a 22 mmÉ o lacre eletrônico da placa e substituiu o lacre físico do art. 115 do CTB. Guarda fabricante e número de série
Sigla BRCanto inferior esquerdo, em pretoDistintivo internacional do Brasil, o mesmo usado na circulação entre países
Sete caracteresCentro da placa, em alto relevoSequência LLLNLNN (três letras, um número, uma letra, dois números), estampada com filme térmico aplicado a calor

O QR Code é o item que mais mudou a fiscalização. Ele não é decorativo nem um selo de qualidade: a norma o define como o lacre eletrônico da placa, gerado por algoritmo do órgão máximo de trânsito da União e acessível apenas a fabricantes credenciados, o que permite rastrear a peça da produção até a instalação.

Tamanho: 400 por 130 mm no carro, 200 por 170 mm na moto

A placa de automóvel, caminhonete, caminhão e reboque mede 400 mm de comprimento por 130 mm de altura. A de motocicleta, motoneta, ciclomotor, triciclo e quadriciclo mede 200 por 170 mm, mais alta que larga. As duas têm 1 mm de espessura, somando chapa, película e filme térmico.

Existe uma exceção pouco conhecida e útil para quem tem carro importado ou esportivo: se a placa não couber no receptáculo original do veículo homologado, as dimensões podem ser reduzidas em até 15%. Isso é previsto em norma, não é adaptação de oficina, e a redução por conta própria continua sendo irregular.

A letra do meio: o que ela quer dizer

A letra da quinta posição não indica cidade, estado, ano nem categoria do veículo. Em placa convertida do modelo cinza, ela é a tradução de um número da placa antiga. Em placa de primeiro emplacamento, é apenas mais um caractere da combinação sorteada.

Operador de estampadora comparando a placa cinza antiga e a placa branca do padrão atual, uma em cada mão
A mesma numeração, dois modelos: a conversão troca só o antepenúltimo caractere.

O Anexo II da Resolução CONTRAN nº 969/2022 traz a tabela que faz essa tradução. A regra é trocar o antepenúltimo caractere, de número para letra, mantendo relação direta entre a placa antiga e a nova.

Placa antiga0123456789
Placa novaABCDEFGHIJ

O exemplo está na própria norma: a placa ABC-1234 é substituída por ABC1C34, porque o antepenúltimo caractere, o 2, vira C. Aplicando a mesma tabela, a letra I corresponde ao número 8, F corresponde a 5 e D corresponde a 3. Quem quer converter mentalmente a própria placa só precisa contar do zero: A é 0, e a contagem para em J.

Dá para saber se a placa foi convertida ou já nasceu no padrão novo

Esse é o detalhe que quase ninguém conta. O Anexo II diz que a faixa de letras de A a J será utilizada apenas na conversão da placa antiga, para permitir a consulta pelos dois critérios. Na prática, uma letra de K a Z naquela quinta casa indica combinação nova, atribuída no emplacamento, e não uma placa convertida.

A confirmação oficial fica no documento. Pelo art. 57 da Resolução, quando o veículo adota o modelo novo, a combinação original é mantida no cadastro e passa a constar no campo placa anterior do CRLV-e, de modo que o veículo continua consultável pelas duas placas. Se você fez a conversão da placa cinza e ficou com medo de perder o histórico do carro, é esse dispositivo que garante que nada se perde.

Por que o I não vira 1 na leitura

A fonte não é escolha estética. A norma exige a tipologia FE Engschrift, com 65 mm de altura nos carros e 53 mm nas motos. FE vem do alemão e significa, em tradução livre, escrita que dificulta a falsificação: os caracteres são propositalmente desproporcionais entre si, com traços em alturas diferentes, para que qualquer tentativa de transformar uma letra em outra fique visível a olho nu e para melhorar a leitura por câmera.

É por isso que o I da placa não se confunde com o 1, nem o O com o zero, mesmo em foto de radar ou de pedágio. E há uma segunda camada: a posição. Como a sequência é sempre LLLNLNN, o quinto caractere é obrigatoriamente uma letra e o quarto é obrigatoriamente um número, o que resolve a ambiguidade antes mesmo de olhar o desenho.

A cor dos caracteres diz o uso do veículo

Aqui está a informação que a letra não dá. A Tabela III do Anexo I define a cor dos caracteres conforme o uso do veículo, e essa é a leitura que um agente de trânsito faz à distância.

Uso do veículoCor dos caracteresExemplo típico
ParticularPretaCarro e moto de uso pessoal
Comercial (aluguel e aprendizagem)VermelhaTáxi, ônibus, caminhão, locadora e veículo de autoescola
Oficial e de representaçãoAzulVeículo de órgão público
Diplomático e consularDouradaMissão diplomática, corpo consular e organismo internacional
Especiais (experiência e fabricantes)VerdeVeículo de teste de montadora e de fabricante de peças
Coleção (uso no âmbito do Mercosul)Cinza prataVeículo de coleção que circula na região
Coleção (uso restrito ao território nacional)Branca sobre fundo pretoVeículo de coleção classificado como original, só no Brasil

Repare na última linha: a placa de coleção de uso restrito é a única que abandona o fundo branco e vai para o fundo preto, sem o emblema do bloco e sem a marca d'água. Ela preserva o visual histórico do veículo, e por isso não vale fora do país.

O que muda de país para país

O desenho é comum, mas a ordem dos sete caracteres é decisão de cada Estado Parte. Isso responde à confusão frequente de quem viaja e estranha a placa do vizinho: ela é do mesmo padrão, com sequência diferente.

PaísFormato do carroEm uso desde
BrasilABC1D23Setembro de 2018
ArgentinaAB123CDAbril de 2016
UruguaiABC1234Março de 2015
ParaguaiABCD123Julho de 2019

O que a padronização entrega não é a numeração igual, e sim a consulta cruzada: um veículo emplacado em qualquer um dos quatro países pode ser verificado pelos demais, com a mesma leitura de faixa azul, emblema e distintivo do país.

Como reconhecer uma placa legítima

Três elementos de segurança estão na norma e raramente aparecem nos anúncios de placa barata, porque exigem insumo homologado e credenciamento.

Profissional de estampadora conferindo o QR Code de uma placa recém-produzida com o celular
O QR Code é o lacre eletrônico e liga a placa ao fabricante e ao número de série.
  • Microinscrições sobre os caracteres: o filme térmico traz as palavras MERCOSUR BRASIL MERCOSUL impressas em cima dos próprios caracteres, em maiúsculas, fonte Gill Sans de 5 mm. É preciso chegar perto para ver.
  • Marca d'água na película: o emblema do bloco em formato circular, gravado dentro da película retrorrefletiva, se repete a cada 72 mm. Aparece sob luz normal e não pode ser colado depois.
  • QR Code rastreável: traz identificação do fabricante e número de série individual, obtidos apenas por fabricante credenciado, e permite checar a autenticidade por sistema eletrônico.

Some a isso o alto relevo do hotstamping, que se sente com o dedo. Placa impressa em superfície lisa, com QR Code raspado ou sem as microinscrições, não é placa oficial, e usá-la no veículo é caso de art. 311 do Código Penal, não de multa. Se quiser conferir como uma peça legítima é produzida, veja a fábrica credenciada da Carplac.

Quando a troca é obrigatória, e quando ninguém pode exigir

A placa cinza pode circular até o sucateamento do veículo. A troca para o padrão atual só é exigida nas hipóteses do art. 56, parágrafo 1º da Resolução CONTRAN nº 969/2022:

  • mudança de categoria do veículo;
  • furto, extravio, roubo ou dano da placa ou de qualquer dos seus elementos;
  • mudança de município ou de unidade da federação;
  • necessidade de instalar a segunda placa traseira.

Fora desses casos vale o art. 57, e ele é explícito: o parágrafo 2º proíbe que os órgãos de trânsito e os estampadores exijam a substituição da placa antiga. Se alguém disser que você é obrigado a trocar sem estar em uma das quatro situações acima, a norma está do seu lado. A conversão voluntária continua liberada a qualquer momento, para quem quiser os itens de segurança novos.

Duas dessas hipóteses têm caminho próprio. Placa perdida, furtada ou danificada resolve-se com a segunda via de placa, e carro zero quilômetro entra direto no padrão atual no primeiro emplacamento. Já a segunda placa traseira é obrigatória quando o veículo tem engate ou carroceria que cobre a placa, o caso clássico de quem instala placa adicional para transbike.

Em Joinville, quem executa qualquer um desses serviços é uma estampadora credenciada pelo DETRAN/SC. A Carplac fabrica placa Mercosul em Joinville desde 2016, no bairro América, com estampagem na hora. Se ficou em dúvida sobre o que a sua placa mostra, se ela foi convertida ou se o seu caso exige a troca, mande uma foto e fale no WhatsApp. Se for caso de converter a placa antiga, a peça fica pronta em cerca de 15 minutos.

Ficou com dúvida sobre a sua placa?

Chame no WhatsApp e a gente responde. Se precisar estampar, a placa fica pronta em 15 minutos na nossa loja em Joinville.

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Perguntas frequentes

O que é a placa de identificação de veículos (PIV)?

PIV é a sigla oficial de Placa de Identificação de Veículos, o nome técnico que a Resolução CONTRAN nº 969/2022 dá à placa. É o modelo em padrão Mercosul: fundo branco retrorrefletivo, faixa azul superior com o emblema do bloco, o nome BRASIL e a bandeira, QR Code, caracteres em alto relevo com hotstamping e a sequência de sete caracteres no formato ABC1D23. O modelo anterior, cinza, chama-se PNU, Placa Nacional Única.

O que significa a letra do meio da placa Mercosul?

Ela não indica cidade, estado nem categoria do veículo. Nas placas que vieram da conversão do modelo cinza, essa letra é a tradução do antepenúltimo caractere da placa antiga, conforme a tabela do Anexo II da Resolução CONTRAN nº 969/2022: 0 vira A, 1 vira B, 2 vira C, e assim por diante até 9, que vira J. Nas placas de primeiro emplacamento, ela é apenas mais um caractere da combinação sorteada pelo Senatran.

A letra I na placa Mercosul é qual número?

I equivale a 8. Pela tabela de conversão do Anexo II da Resolução CONTRAN nº 969/2022, a sequência é 0 igual a A, 1 igual a B, 2 igual a C, 3 igual a D, 4 igual a E, 5 igual a F, 6 igual a G, 7 igual a H, 8 igual a I e 9 igual a J. Então uma placa ABC1I34 no padrão novo corresponde à antiga ABC-1834.

Como saber se a placa foi convertida ou já nasceu no padrão novo?

Olhe a letra da quinta posição. O Anexo II da Resolução CONTRAN nº 969/2022 reserva a faixa de A a J exclusivamente para a conversão de placas antigas. Ou seja, uma letra de K a Z naquela casa indica combinação nova, atribuída no emplacamento. Confirmação oficial é o campo placa anterior do CRLV-e: em veículo convertido, a combinação antiga continua registrada ali.

Todos os países do Mercosul usam a mesma sequência de caracteres?

Não. O desenho é comum (faixa azul com emblema do bloco, nome do país e bandeira, sete caracteres, fundo branco), mas cada país define a própria ordem. O Brasil usa ABC1D23, a Argentina AB123CD nos carros, o Uruguai ABC1234 e o Paraguai ABCD123. A padronização serve para a consulta entre os países, não para uniformizar a numeração.

O que a cor dos caracteres da placa indica?

O uso do veículo, conforme a Tabela III do Anexo I da Resolução CONTRAN nº 969/2022: preto para particular, vermelho para comercial (aluguel e aprendizagem), azul para oficial e de representação, dourado para diplomático e consular, verde para as especiais de experiência e fabricantes, cinza prata para coleção no âmbito do Mercosul e branco sobre fundo preto para coleção de uso restrito ao território nacional.

Sou obrigado a trocar a placa cinza pela do padrão Mercosul?

Só nas situações do art. 56, parágrafo 1º da Resolução CONTRAN nº 969/2022: mudança de categoria do veículo, furto, extravio, roubo ou dano da placa, mudança de município ou de estado e necessidade da segunda placa traseira. Fora desses casos, o art. 57 permite circular com a placa antiga até o sucateamento, e o parágrafo 2º proíbe expressamente que o Detran ou a estampadora exijam a troca. A conversão voluntária continua permitida a qualquer momento.

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